A
sociedade sempre soube mostrar-lhe seu reconhecimento pelos serviços prestados
à justiça. Foi paraninfo várias vezes de turmas de formandos
em direito. Sua casa é um verdadeiro museu de medalhas e condecorações.
Era Doutor honoris causa, título recebido de diversas universidades. Recebeu
o título de Jurista Eminente do Instituto dos Advogados do Brasil, secção
do Rio Grande do Sul. Uma das últimas distinções que recebeu
em vida, foi a medalha Andrés Bello (poeta, filósofo, estadista,
e jurista venezuelano, considerado o primeiro humanista da América), das
mãos do Presidente da Venezuela Carlos Andrés Pérez, por
ocasião de sua visita ao Brasil, em novembro de 1977. Cidadão Honorário,
era-o de muitos estados da Federação. Em 1963 Pontes recebeu a Medalha
Teixeira de Freitas instituída pelo Conselho Superior do Instituto dos
Advogados brasileiros. Ela foi instituída para outorga periódica
a advogados que tenham se destacado de maneira ímpar, por sua obra, por
sua atuação e pelo seu denodo ao direito, na vida jurídica
nacional. Em 22 de dezembro de 1979 morre Pontes de Miranda, de infarto do miocárdio,
às 7h e 30 min. Não deixou apenas uma esposa (Srª Amnéris),
5 filhas, 6 netos e uma bisneta a chorar sua partida, mas sim, toda a nação
brasileira, que tinha nele o orgulho de ter contribuído para o aperfeiçoamento
das instituições e preservação da cultura dos antepassados.
Mas sua morte não o colocará no rol dos esquecidos. Continua vivo
na consciência jurídica nacional e prova eloqüente disto, são
as homenagens post morten que continua recebendo: a Ordem dos Advogados do Brasil,
Secção do Rio Grande do Sul decretou sete dias de luto por ocasião
de seu passamento, ocasião em que estabeleceu a designação
de "Congresso Pontes de Miranda" para o IX Congresso dos Advogados do
Rio Grande do Sul, importante conclave jurídico que tem como meta a elaboração
de um anteprojeto de Constituição para a sociedade brasileira; os
formandos em direito da Faculdade do Instituto Ritter dos Reis, de Canoas, no
nosso Estado, adotaram o nome de Pontes de Miranda; o Superior Tribunal do Trabalho,
em agosto de 1980, outorgou-lhe a medalha do Mérito Judiciário do
Trabalho; o Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul, através do Dr.
Isaac Ajnhorn, encaminhou sugestão à Câmara de Vereadores
de Porto Alegre, no sentido que se dê a uma das ruas de nossa capital, o
nome de Pontes de Miranda. A Câmara do Senado Federal reverenciaram sua
memória. O verdadeiro monumento a Pontes de Miranda, não foi erguido
com essas condecorações, mas foi erguido por ele mesmo, no decurso
de uma vida perfeita, com uma portentosa produção, não apenas
no campo do direito, que palmilhou como legítimo senhor e possuidor, mas
também de modo especial, pelas searas vizinhas, como na filosofia, na sociologia,
na matemática, na psicologia e na física. Sua morte também
não é o monumento. Deve esta ser encarada da maneira que ele, nihilisticamente,
concebia:
"A
morte cria outras grandezas,
porque
a morte não faz iguais - desfaz.
Não
nivela - destrói.
Todos deixam
de ser,
e ainda assim (suprema ironia),
nem
todos deixam de ser a mesma coisa;
uns
deixam de ser grandes, - outros, pequenos".
Homenagens
Pontes
de Miranda na OAB - secção de Alagoas, ao ser agraciado com o título
de Advogado Honorário de Alagoas. Aparecem da esquerda para a direita:
Aurino Malta, presidente da OAB-AL; Reitor Manoel Machado (de óculos),
Pontes de Miranda, advogado Marcelo Lavonére, atual presidente da OAB-AL;
Sra. Amnéris Pontes de Miranda; Ivan Barros (de óculos), Flora Valente
e a esposa do be. Aurino Malta.