A qualidade de seu livro intitulado A Sabedoria dos Instinctos (Die Weisheitider Instinkte, como se intitulou mais tarde na Alemanha), valeu-lhe, em 1921, o primeiro Prêmio da Academia Brasileira de Letras, academia esta que voltou a premiá-lo em 1925, com láurea de erudição pela publicação de Introdução à Sociologia Geral. Mas foi essa mesma academia que lhe impôs duas derrotas que o magoaram profundamente: a primeira quando, com apenas 34 anos - o mais jovem candidato até hoje - em 1926, concorreu à cadeira nº 33, mas que foi ocupada por Fernando Magalhães; a segunda em março de 1977, quando concorreu com Rachel de Queiroz à cadeira nº 5, a qual era ocupada por Cândido Mota Filho. A Academia tinha de optar por Rachel sob pena de ser taxada de elitista e de fazer discriminação de sexo, opondo-se ao ingresso de mulheres. Só em março de 1979, ao derrotar a escritora paulista Dinah Silveira de Queiroz, quando foram consignados 20 votos a seu favor, 16 em favor da mais séria concorrente, 1 voto a Joaquim Inojoza e nenhum a Pascoal Vilaboin, é que teve a felicidade de vestir o fardão dos imortais, para sentar-se como titular da cadeira nº 7, que tem como patrono Castro Alves e onde outrora sentaram Euclides da Cunha, Afrânio Peixoto, Afonso Pena e Hermes Lima. Realmente, a história da Academia não estaria completa sem que por ela tivesse passado Pontes de Miranda. Era um letrado. Redigia com precisão e riqueza estilística Criava palavras que revolvia as que o tempo havia sepultado. Vocábulos como "membridade" e expressões como "denúncia cheia" e "denúncia vazia" são algumas de suas criações. Esgotava qualquer assunto. Era poliglota na expressão pura do vocábulo. Redigia diretamente em idiomas estrangeiros, sobretudo alemão e francês, independentemente do ramo do conhecimento abordado. Mas também as línguas ditas mortas, como o latim e o grego lhe eram bastante familiares. A primeira, lia, escrevia e falava; a segunda apenas lia e pouco escrevia.
O Acadêmico