
A Instalação da Justiça do Trabalho em Alagoas
A Junta de Conciliação e Julgamento de Maceió foi instalada durante o governo do interventor Ismar de Góis Monteiro em 1º de maio de 1941, no Teatro Deodoro, mas só entrou em funcionamento em 1º de agosto do mesmo ano conforme o edital publicado no DIÁRIO OFICIAL de Alagoas, nº 8.220, de 5 de agosto de 1941, a seguir transcrito: "Justiça do Trabalho - Junta de Conciliação e Julgamento EDITAL de ordem do Exmº. Sr. Dr. Presidente desta Junta, torno público que, a partir desta data, esta Secretaria entra em funcionamento para todos os fins previstos no regulamento da Justiça do Trabalho, aprovado pelo decreto 6.596, de 12 de dezembro de 1940. Secretaria da Junta de Conciliação e Julgamento de Maceió. Maceió, 1º de agosto de 1941. Moema Mendonça Guimarães, Escriturário "E", Secretário Interino".
A Junta é então instalada em sala cedida pela delegacia do trabalho onde permaneceu durante um mês, sendo então transferida para o prédio onde funcionava, em 1941, a Ordem dos Advogados, que cede uma sala, na rua Professor Domingos Moeda nº 49, local onde funcionou por mais um ano. A dificuldade na instalação da Junta em Alagoas deveu-se em parte a obstáculos na obtenção de verbas para a locação de imóvel para seu estabelecimento.
Já com verba própria a Junta Única de Conciliação e Julgamento de Maceió passa a se instalar em imóveis alugados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6º Região, primeiramente à rua do Comércio, 206, transferindo-se, depois, para a rua General Hermes e, finalmente, durante muitos anos, para a rua João Pessoa, nº 349 (antiga rua do Sol ).
A primeira Junta, no exercício do ano de 1941, quando de sua instalação, recebeu para julgamento 108 reclamações trabalhistas, das quais 1 reclamação de menor, 9 de mulheres e 96 de homens. As primeiras reclamações eram basicamente da Indústria, destacando-se as "padarias" como atividade mais reclamada em 1941,seguidas da Construção Civil.
A primeira reclamação trabalhista da 1ª Junta de Conciliação e Julgamento, teve como reclamado o Sr. João Athayde Filho, proprietário da Fábrica Apollo de beneficiamento de Coco e, como reclamante, o ralador de coco João Ferreira da Silva.
O primeiro Presidente da Junta de Conciliação e Julgamento de Maceió-AL, foi o Juiz Paulo Quintella Cavalcanti que atuou como juiz durante o período compreendido de 28 de abril de 1941 até 13 de dezembro de 1966, quando foi promovido a Juiz Togado do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região em Recife, tendo como suplente o Dr. Mário Marroquim, e, também, como funcionários a secretária Sr.ª Moema Mendonça Guimarães e um "office-boy", pago às custas do Presidente da Junta, além dos Vogais Sr. Manoel Valente de Lima, Representante dos Empregados e Sr. Álvaro da Silva Peixoto, Representante dos Empregadores.
O Primeiro Oficial de Justiça foi o Sr. José Nuno de Araújo Jorge, que permaneceu pouco tempo no cargo, assumindo, então, o Sr. José Júlio Cavalcante Gameleira, que permaneceu no cargo durante 37 anos, até se aposentar em 1979.
A Junta de Conciliação e Julgamento de Maceió funcionou até 1973 na rua do Sol, quando se transferiu para a sua primeira sede própria, o "Forvm Quintella Cavalcanti", praça Centenário, na capital.
A Junta recebeu durante os primeiros quinze anos, de 1941 a 1956, um total de 4.824 reclamações trabalhistas, em grande número, conciliadas as partes.
Mesmo vivendo sob a ditadura do estado novo, não sofreu represálias de qualquer ordem, tendo garantida sua independência e autonomia nos julgamentos.